Athos Eichler

Athos Eichler Cardoso nasceu 1934, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Passou a infância em Porto Alegre e viveu em Recife durante o período da Segunda Guerra Mundial, quando tornou-se leitor assíduo dos grandes momentos da literatura popular no Brasil, representados pela indústria das revistas em quadrinhos, livros best sellers de aventura e mistério e a explosão brasileira das “revistas de emoções”, traduções dos conhecidos pulps americanos.

O fato de ser filho de militar, oficial do exercito, que passou sete meses na base militar de Fernando de Noronha, marcou a ele e sua geração, um período crucial em que o povo brasileiro, incluindo as crianças, participaram do esforço de guerra conduzido pelo governo Getulio Vargas.

Mais novo dos três irmãos que seguiram, a exemplo do pai, a carreira militar, Athos serviu o exército brasileiro nos comandos Sul, Leste, Militar de Brasília, Nordeste e Militar Amazônia. Neste último, foram cinco anos divididos entre o QG do Comando Militar da Amazônia e o Comando de Fronteiras do Acre.

Dedicado à literatura popular, graduado e Mestre em Comunicação Social, dedicou-se ao assunto participando e colaborando com trabalhos durante 10 anos, já na reserva, em eventos como os congressos de Comunicação Social da Intercom.

Durante sua vida acadêmica, manteve contato pessoal e laços de amizade com estudiosos e artista de renome, como os professores Solon Leontisinis,  Sonia Bibe Luyten, Antonio Luiz Cagnin, Flavio Alcântara Calazans, Francisco Araújo e Cleo Severino. Estudiosos do assunto como o excelente Armando Sgarbi – primeiro a apresentar Zé Caipora aos brasileiros no seu seleto fanzine “O Pica-Pau”, Hiron Goidanich, Waldir Damaso, Jorge Brawinkel, Aimar, Cassal, e uma dezena de outros como o genial Jô Oliveira.

Manteve contato em 1982 com o experiente jornalista gaúcho Paulo de Gouvêa, do Correio do Povo (Porto Alegre). Publicou livros especializados no assunto pelo Senado Federal, o clássico “As Aventuras de Nho Quim e Zé Caipora”, com as primeiras HQs brasileiras de Angelo Agostini. E ainda “Memorias d’ OTico-Tico”, “Juquinha, Giby e Miss Shocking”, com os primeiros personagens infantis de J. Carlos. Sua última colaboração foi a reedição de “O Guarany”, de J. de Alencar em versão ilustrada por Francisco Acquarone.

É autor dois papers acadêmicos seminais, sobre revistas de emoções e fascículos brasileiros, dispondo de valioso acervo particular sobre o assunto. Distinguiu-se, junto com Osman Godoy, na produção de filmes super 8 em Recife, tendo sido premiado no Festival Internacional de Curitiba. Recebeu o Prêmio Candango de Literatura do DF com o livro “O que é aventura”. E recebeu o troféu HQ Mix, considerado o Oscar dos quadrinhos brasileiros, em 2002, na categoria Incentivo aos Quadrinhos Brasileiros pelo álbum “As Aventuras de Zé Caipora”.